segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Audrey Hepburn e um café da manhã na Tiffany



Conheci o trabalho da Audrey Hepburn através de sua fama como ícone hollywoodiano e, apesar do encantamento inicial, nunca tinha visto nada relacionado a ela e seus trabalhos. Ou seja, assistir Bonequinha de Luxo pela primeira vez mudou a minha vida. Audrey foi não somente uma atriz bonita, reconhecida e brilhante. Sua história de vida e superações, sua influência e sua humanidade são exemplos e representações mais firmes de quem ela realmente era; da Audrey além das telas do cinema.


Audrey nasceu na Bélgica e aos nove anos foi para um internato inglês, vendo sua vida mudar logo depois com o início da Segunda Guerra Mundial. Para fugir, a mãe dela decidiu partir para a Holanda, jurando que lá seria mais seguro. Logo, quem conhece a história de Anne Frank sabe que a Holanda NÃO se safou de ser invadida pelos nazistas e, sendo assim, a vida de Audrey não fora das mais fáceis, ela participava de espetáculos clandestinos de balé para juntar fundos e levava mensagens secretas em suas sapatilhas. Quando a guerra acabou, Audrey voltou com sua mãe para a Inglaterra, onde tentou se dedicar a carreira de bailarina, mas, em certa parte do caminho, lhe disseram que por sua estatura e nem tanto talento assim, aquela não seria a melhor opção para ela. Foi quando então, a menina Hepburn decidiu investir na atuação.


Seu primeiro trabalho como atriz foi a peça teatral Gigi, montada para a Broadway e logo depois foi apresentada ao seu primeiro trabalho cinematográfico que lhe rendeu de cara um Oscar de Melhor Atriz: a Princesa e o Plebeu. Depois de outros trabalhos conhecidos como Sabrina e Cinderela em Paris, veio então o trabalho que a consagrou de vez como ícone do cinema estadunidense: Holly Goligthly, a Bonequinha de Luxo. Holly se tratava de uma acompanhante de luxo que se casou aos catorze anos e saiu de casa na intenção de deixar a pobreza e a miséria para trás. Com o sonho de ser uma atriz famosa e encontrar um novo marido (rico!), Holly vai morar em Nova Iorque, sendo sustentada por Sally, um mafioso que está preso e o qual ela visita todas as quintas-feiras em Sing-Sing. Lá, em seu simples apartamento, conhece Paul, um escritor pelo qual encanta-se e lhe confia a amizade, tentando sempre desviar dos reais interesses dele, por ser "contra" se entregar a um amor que não lhe torne rica.


E sabe por que o nome do filme em inglês se chama "Breakfast at Tiffany's"? Porque essa é, talvez, a coisa que a Holly mais ame fazer no mundo. A fim de esquecer os problemas e, compondo a primeira cena do filme, Holly, vestida de seu Givenchy, toma seu café da manhã em frente a joalheria Tiffany (conhecida por suas caixinhas azul turquesa - ou "azul tiffany").


Além de tudo isso que eu te falei, a Audrey ainda foi embaixatriz da UNICEF, ajudando crianças e viajando o mundo servindo, por achar que tinha um débito com a organização que foi responsável por salvar sua vida ao levar comida e suprimentos para a Holanda pós-guerra.


Outra coisa super importante: a Audrey era uma mulher super empoderada!!! Quando casou-se pela primeira vez, saiu de casa com seu filho porque seu marido queria que ela deixasse de trabalhar, por conta de ciúmes e por ele querer que ela se dedicasse inteiramente a sua casa e a família. Presa e infeliz, ainda tendo o divórcio negado por ele, a maravilhosa fez as malas e partiu, afinal de contas, ela não era obrigada a nada!


Há quase 27 anos, Audrey Hepburn perdeu a batalha contra o câncer de apêndice, mas, felizmente, seu trabalho e sua história estão aí para não nos permitir esquecer de alguém tão especial e interessante.


Au revoir.


*Texto publicado originalmente no Entre Prosas.

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