segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Desventuras em Série: é melhor não olhar?



A história dos irmãos Baudelaire teve sua última temporada encerrada no início de 2019 na Netflix. De lá para cá, fiquei pensando em refazer uma publicação que eu havia feito no meu antigo blog, o Entre Prosas, que falava apenas da primeira temporada - o que tinha até então. A série é baseada nos livros de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), que já foi adaptada para o cinema em 2004, contando com o Jim Carrey no papel do Conde Olaf. O primeiro volume dos livros, Mau Começo, foi publicado em 1999 e o último em 2016, fechando 13 livros da saga dos Baudelaire.


Minha relação de amor e angústia com os órfãos Baudelaire vem de, mais ou menos, a mesma época de lançamento do filme - que era o meu favorito na locadora do bairro em que eu morava. Por nunca ter lido os livros que contam a história em questão (um dia eu vou!), fiquei super curiosa com a série que traria bem mais do que os três capítulos retratados no filme dirigido por Brad Silberling e vencedor do Oscar de Melhor Maquiagem e Penteado, em 2005. Na ocasião em que escrevi para o EP, fiz uma comparação de pontos do filme com a primeira temporada da série, que traz exatamente as mesmas histórias. Mas, agora que já finalizei a série, vamos estender esse papo. 


Não posso negar, de forma alguma, que o filme é dono de parte do meu coração - principalmente devido às memórias afetivas e formação de personalidade decorrida das referências; mas a série traz uma pegada mais séria e sombria, que combina mais com a série de desventuras em que as vidas de Violet, Klaus e Sunny são marcadas.


Na série, o vilão Conde Olaf é interpretado pelo maravilhoso Neil Patrick Harris, com uma atuação muito boa. A diferença entre ele e o Jim Carrey está justamente na carga de comicidade dada ao personagem. Olaf é um ator falido que quer ficar rico às custas da herança dos três irmãos - quando passa a ser guardião legal deles em decorrência da morte dos pais deles. Seu núcleo tem um tom engraçado, mas com Carrey isso fica bem mais marcado do que com o Harris, que se preocupa em dar um tom mais sarcástico do que mero humor.


A presença de atores negros, indo-americanos e suazilandês - mesmo com um elenco majoritariamente branco - também leva para a série um ingrediente que não havia no filme: a diversidade. Além disso, a presença feminina ganha destaque com personagens fortes e novos, em comparação ao longa de 2004. Sendo assim, percebemos uma preocupação em fazer uma produção mais inclusiva, coisa que atualmente é mais do que necessária - e só o básico já não é mais suficiente.


Uma coisa de Desventuras é ser uma história detalhada e com personagens de características marcantes. Tem a Violet, que amarra o cabelo na busca por inspiração e criatividade (aprendi com ela!); tem o Klaus com sua paixão por leitura e a Sunny viciada em morder; o Sr. Poe, banqueiro, possui uma tosse bem peculiar; Olaf e suas personificações; Carmelita Spats e sua personalidade; entre outros.


A série é bem construída, bem mais fiel aos livros do que o filme estrelado por Jim Carrey e com um final mais otimista do que o escrito por Handler em 2006. Muita gente acha que a narrativa, apesar de bem escrita, é cansativa. Eu concordo em partes. Apesar de parecer se arrastar muito, principalmente nos primeiros episódios, o desenrolar das temporadas seguintes traz o fôlego para concluir a jornada dos Baudelaire. Talvez seja por amor à obra, mas eu acredito que a série vale a chance - bem como o filme e os livros, aos quais darei essa chance também. O que mais me incomoda e que, provavelmente, quebra o ritmo do desenrolar das cenas são as interrupções do personagem-narrador Lemony Snicket, que traz especulações e explicações ao longo dos episódios. Mas, juro, até isso é suportável.


No mais, cuidado, afinal, se você procura histórias com finais felizes, é melhor não olhar.


Au revoir.

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