terça-feira, 27 de outubro de 2020

O dia em que Divertidamente me deu uma aula sobre respeitar processos


Se você é uma pessoa próxima a mim - e já me pediu conselhos ou conversou mais sério comigo, provavelmente já te falei da aula de Psicologia que o filme Divertidamente (Inside Out em inglês) traz. Depois que eu entendi o recado, é muito mais leve viver.

Aos poucos isso tem mudado, mas crescemos ouvindo que temos que ser fortes e, apesar de culturalmente as mulheres terem mais licença para serem frágeis, isso está sempre associado à fraqueza e não a fragilidade, de fato. Uma vez li em algum lugar que, apesar dessas duas palavras - fraqueza e fragilidade - serem sinônimos no dicionário, ser frágil não quer dizer, necessariamente, ser fraco. Pelo contrário, eu enxergo muita força em ser vulnerável. Fragilidade tem a ver com nobreza e humildade. Com entender que não, você não precisa ser forte o tempo todo. Muito menos feliz.

E é justamente aí que entra o filme Divertidamente.

Recapitulando brevemente a história, somos apresentados a Riley e aos seus cinco principais sentimentos: alegria, raiva, nojo, medo e tristeza. Essa última, sempre negligenciada, escanteada e desconsiderada como importante pelos outros quatro, principalmente pela Alegria. A Alegria é a responsável por "comandar" a cabeça da Riley e conduzir os seus dias, tendo sempre uma ideia, uma opinião, para "salvar" um dia que não esteja repleto de bolinhas amarelas - que representam as emoções alegres da protagonista.

Daí, um belo dia, Alegria e Tristeza se perdem da sala de comando e assistimos a saga das duas em tentarem voltar para lá, porque a Riley não pode ficar sem a Alegria - que, por sinal, é uma personagem bem egoísta.

Nessa saga, conhecemos o amigo imaginário da Riley que vai protagonizar, junto com a Tristeza, a cena mais importante do filme. E não sou eu que estou dizendo isso, que dizer, eu concordo, mas você entende que o desfecho do clímax só se dá em razão dessa cena. E ela nos mostra a importância da tristeza. Assim, minúsculo, porque eu estou falando do sentimento.

Ninguém gosta de se sentir triste e também não estou dizendo que é ok ficar nesse estado por muito tempo, mas que, assim como qualquer outro sentimento, a tristeza também não deve ser ignorada. Não estamos falando aqui de um quadro depressivo ou qualquer outro problema de saúde mental, mas sim daquela bad que às vezes bate, da decepção com algo que deu errado, de não estar bem um dia, de querer chorar e ficar deitado assistindo série com um prato de brigadeiro.

Na cena em questão, o Bing Bong, amigo imaginário da Riley, está triste e a personagem Tristeza senta e vai abraçá-lo, mas, antes disso, a Alegria faz de tudo para animar ele, para que ele não chore. Daí, enquanto ele chora por um tempo, logo ele se recupera e eles seguem. Intrigada, a Alegria questiona a Tristeza sobre o que ela fez e ela diz que ele não estava bem, então ela o apoiou, o consolou e tudo se ajeitou.

É sobre isso, entende?

É importante acolher a Tristeza, quando ela vem por alguma razão pontual. Tudo bem não estar bem o tempo todo, ninguém é de ferro e vivemos tempos cada vez mais difíceis. Quando você se permitir sentir o que precisa sentir, aquele sentimento vem, é acolhido e depois passa, porque entendemos que precisamos vivenciar àquilo, mas não necessariamente nos resumir a isso.

Há dias em que tudo que meu corpo pede é cama, filmes clichês e calmaria - no quarto escuro. Eu respeito, me desligo das coisas e vivo o momento. Em outros dias, pede silêncio e não quero conversar com ninguém, e tá tudo bem. Depois isso passa e a vida volta ao normal, com os dias corridos e a sociabilidade, as piadinhas que meus amigos têm uma relação de amor e ódio e o trabalho frenético da minha cabeça dividida entre faculdade, estágio e projetos pessoais.

Da próxima vez que se sentir triste, acolha esse sentimento e o deixe ir. E quando isso for constante, procure um psicólogo. Terapia é a melhor coisa da vida, juro. E, sei lá, lembrem-se sempre de respeitar seus próprios processos e seu próprio tempo. Ninguém é régua ou termômetro de ninguém.


Au revoir.

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