segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Resenha literária: A Lista Negra, o bullying na narrativa de Jennifer Brown



Conheci esse livro há mais ou menos 7 anos atrás pelo canal da Pam Gonçalves, na época do Garota It ainda, através dessa resenha, e desde então que tentava comprar, mas não encontrava ou estava sempre indisponível. Hoje, agradeço por isso, pois devido a temática, não teria maturidade suficiente na época para interpretar da melhor forma. Publiquei essa resenha no Entre Prosas há cerca de três anos e decidi trazer ela pra cá também, porque sigo indicando esse livro e achando ele extremamente necessário.


É importante dizer que, seguindo uma onda de reparação histórica da sociedade num geral, a Jennifer trocou o nome do livro de "A Lista Negra" para "A Lista do Ódio" e eu achei isso fantástico. Como tenho a versão antiga, mantive o nome, mas fica a observação ao pesquisar sobre.


ATENÇÃO: pode conter spoilers a partir daqui.


A Lista Negra (agora A Lista do Ódio) foi o primeiro romance de Jennifer Brown publicado no Brasil e trata sobre um assunto muito importante, que ganha cada vez mais força nos debates sociais: bullying. Entretanto, a autora traz o bullying em níveis consequenciais extremos, e infelizmente um tanto comum nos Estados Unidos (e recentemente no Brasil também), que são os atentados escolares.


Valerie Leftman e Nick Levil são namorados e tinham o costume de escrever em um caderno os nomes e as situações que eles odiavam, o problema é que os dois tinham intenções diferentes com aquela lista. Na manhã de 2 de maio, Nick leva uma arma para a escola e abre fogo no refeitório tendo como alvos principais as pessoas que estavam listadas naquele caderno. Ao tentar detê-lo, Val se joga na frente de uma das vítimas - e talvez a pessoa que mais a zoasse, Jessica Campbell - e é atingida na perna pelo namorado, que comete suicídio logo em seguida.


O livro então vai girar em torno dos próximos passos da vida de Valerie, desde a recuperação física e mental quanto ao acontecimento, a morte do namorado e a relação com os pais, até a volta a escola e ter que lidar novamente com todas aquelas pessoas que pareciam, agora, odiá-la mais ainda. O que ela não contava é que salvar a vida de Jessica a mudaria completamente e esta tentaria se aproximar, em forma de gratidão. Jessica acaba sendo peça fundamental para a readaptação e sobrevivência de Val na escola.


A história traz flashbacks de conversas entre Valerie e Nick que, agora, pareciam deixar sempre claro as intenções do garoto. Também traz lembranças referentes aos primeiros dias no hospital, depois no psiquiatra até os dias atuais, além das conversas com a polícia. E segue misturando esses trechos com o presente de Valeria na escola, nas consultas com Dr. Hieler e em novas situações.


A gente passa o livro inteiro sob a perspectiva da Valerie, entendendo - ou tentando - a cabeça dela desde antes do atentado até o momento presente. Acompanhamos os dramas dentro de casa e como fica mais difícil ainda de lidar com o que aconteceu quando os próprios pais a tratam como culpada. Em como tudo que já era complicado, fica muito mais.


Porém, o final do livro tem um discurso maravilhoso sobre empatia e perdão, inclusive autoperdão. Um discurso que é construído ao longo de todo o livro e que ganha uma conclusão importantíssima e que, mesmo sendo esperada, consegue ser surpreendente da maneira que é. Principalmente uma cena que além de uma surpresa para a Valerie, se torna nossa também!


Vale muito a pena a leitura, vale a pena tentar extrair o máximo de tudo que o livro oferece e do exemplo da Valerie que serve de lição para todo mundo.


O livro me tocou muito, me arrancou lágrimas no final e a todo tempo mexeu com meus sentimentos, despertando raiva, medo, angústia e tristeza. Não é uma leitura fácil na questão emocional, mas possui uma linguagem que, apesar do peso do tema, deixa o texto mais fluído. Eu espero, de coração, que todo mundo tenha a oportunidade de ler esse livro um dia.


Au revoir.


*Texto publicado originalmente no Entre Prosas.

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