terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Soul e a grandiosidade dos pequenos prazeres do viver



Ontem, na última segunda-feira do ano, eu assisti ao novo filme da Disney-Pixar, Soul, que foi lançado através da plataforma de streaming, Disney Plus. O filme, de forma resumida, acompanha a vida de Joe Gardner, um professor de música que queria tocar em uma grande banda de jazz. Quando ele finalmente tem essa chance, ele sofre um acidente e a alma dele é separada de seu corpo. No outro plano, ele conhece a 22, uma alma que está presa há muitos anos na Escola da Vida e não tem nenhum interesse em vir para a Terra. Nesse encontro, enquanto Joe quer muito voltar para realizar seus sonhos, ainda tem que convencer a 22 a entender seu propósito. E aí, quando você acha que compreendeu a mensagem do filme, ele te vira do avesso.

Foi exatamente isso que Soul fez comigo. Me virou ao avesso. Depois de passar o ano inteiro com a sensação de experiências não vividas, a Pixar me resgata o fôlego de que a vida é um conglomerado de vivências muito além das coisas grandiosas que fazemos. Para mim, Soul reverberou como um filme para nos mostrar que viver a vida não está nas enormes aventuras que vivemos, mas que a nossa pequena rotina também compõe isso. Em certo momento do filme, o Joe ouve sobre a história de um peixe que estava em busca do oceano. Ele vai perguntar a alguém sobre como chegar lá e esse alguém lhe diz que isso tudo onde ele está é o oceano, e ele responde "isso? Isso aqui é água. Eu quero o oceano". Foi nesse momento que a chavinha virou e, pra mim, é o ponto alto da mensagem que o filme quer passar.

Às vezes a gente passa a vida inteira tentando construir um grande legado, deixar grandes marcas, esquecendo de prestar atenção nas pequenas coisas que construímos no caminho para esse 'grande objetivo'. Pensamos tanto no viver a vida de forma intensa como algo grandioso que esquecemos de colocar a intensidade nos pequenos atos de viver. A vida acontece nas grandes experiências? Sim, mas a vida acontece mais ainda no dia-a-dia, no cotidiano, no saborear sua comida preferida, no gargalhar assistindo um filme de comédia, na companhia de pessoas queridas que - como bem aprendemos em 2020 - podem nos deixar a qualquer momento, sem despedidas. O seu grande legado pode, na verdade, não soar tão grandioso para você, mas ser a melhor coisa que você faz por outra pessoa, por exemplo. Lembro de como meu avô ficava feliz quando parávamos para ouvir suas histórias, para conversar com ele sobre qualquer assunto que ele gostasse, e como a falta de conversa o levou a um quadro depressivo. Então, eu sei, que os minutos que parei para o ouvir, foram um grande legado que deixei na memória dele enquanto ele esteve aqui. Entende que a vida é "bem menos" do que acreditamos que ela precisa ser?

Eu não sei você aí do outro lado, mas essa foi a mensagem do filme que me alcançou e fiquei feliz em ser tocada por ela. Não que você tenha que deixar de almejar grandes coisas, pelo contrário, você pode sim desejá-las, e pode mais ainda perceber a grandiosidade que existe em tantas outras pequenas coisas que você já faz. A gente passa tanto tempo achando que o grande momento da nossa vida está "lá" que esquece que o caminho até "lá" é a soma de momentos que faz a nossa vida ser a nossa vida, deu pra entender? Bom, espero que sim.

Pra mim, foi reconfortante assistir esse filme e absorver essa mensagem depois de um ano como 2020, em que eu pensei bem mais em tudo que havia planejado e deixado de fazer, esquecendo de tudo que eu consegui fazer em meio ao caos. Não quero que isso soe como as mensagens good vibes de quem acha que a pandemia veio para nos ensinar algo, mas hoje vou me permitir me parabenizar pelas pequenas coisas que fiz ao longo do ano - que foram grandiosas, diante do contexto em que estamos e de como isso afetou nossa saúde mental. Pude estar com a minha família e passei meses pertinho do meu avô antes dele partir, pude continuar trabalhando e por mais exaustivo que isso tenha sido pra mim mentalmente, fiquei orgulhosa por ter contribuído com minha equipe e com a sociedade diante dessa pandemia - e da desinformação. Tive saúde, não faltou comida, meus amigos e pessoas que amo estão todos bem. E não perdi a empatia por todos aqueles que sofreram e sofrem as perdas pelo coronavírus, me solidarizo com todos os que sentem essa dor agora.

E nesse contexto de aproveitar a vida em seus mínimos detalhes, outro filme que fala muito sobre isso é About Time (Questão de Tempo). Fica a indicação! Quem sabe outro dia reflito sobre ele... No mais, que 2021 possa ser um ano mais leve para todos nós. Se cuidem, evitem aglomerações, usem máscaras e nos vemos ano que vem. Beijo no coração!



Au revoir.

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