segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Dos meus antigos mp3 às minhas playlists no Spotify (finalmente!)


Minha educação musical possui vários pilares, mas, provavelmente, o mais forte deles tenha sido a MTV. Crescida em plenos anos 2000, considero impossível não ter sido influenciada pelas telas do antigo canal 7 da televisão aberta. Vale ressaltar que ~naquela época~ a MTV ainda podia ser considerada como um lugar de músicas boas, clipes legais, programas de tv de entretenimento que valiam a pena e encontros com a cultura pop estadunidense, enquanto no Brasil, era o refúgio dos emos (eu aqui!).

Mas, o ponto é que, foi através da MTV que conheci muitas das minhas bandas preferidas - que me mantenho ouvindo, religiosamente, todos os dias, pelo menos alguma música de alguma delas. Inclusive, às vezes tenho a sensação que minha playlist parou no tempo, naquela adolescente sentada no sofá, em frente a televisão, esperando o clipe de Hevo84 passar no Acesso MTV ou na ansiedade pela música nova da Avril Lavigne no MTV Hits.

E onde eu quero chegar com tudo isso?

Uma dessas bandas, dessas fortes influências que tenho na vida, é o Forfun. Como parte da minha vida, a banda que cresci ouvindo firmou partes dos meus princípios, direcionamentos políticos e ideais que acredito até hoje - ainda que isso tenha se perdido um pouco entre os integrantes (cof cof RC cof cof). Mesmo depois do fim, sigo uma fã ferrenha de Forfun e, imagine a minha felicidade ao ver anunciada nas redes sociais da banda que o meu CD preferido deles finalmente entrará nas plataformas digitais.

O Teoria Dinâmica Gastativa é, pra mim, um dos álbuns mais característicos do que o Forfun era e da mensagem que queriam passar. Na verdade, a discografia da banda acompanha as mudanças e amadurecimentos dos próprios integrantes, passeando por diversos estilos e mensagens, sem se perder no propósito de ser político e crítico, antes de tudo. Até mesmo na oposição, devo admitir. Considerado como o primeiro álbum oficial, apesar de ter o Das Pistas de Skate às Pistas de Dança antes disso, o TDG carrega a maioria das minhas músicas preferidas da banda - incluindo Viva La Revolucion, que segue mais atual do que nunca. E sigo me preparando para escutá-lo novamente, sabendo de todos os caminhos que Forfun trilhou depois dele, incluindo a separação.

“Ser bem sucedido não é ter um Audi A3, é ter lucidez e não se entregar à estupidez. Nasce de você a revolução, sufocada atrás da inércia, amplifique a forma de pensar… Nasce de você a revolução, sufocada atrás da inércia, sem limites faça a expansão e amplie a sua visão…”

Para mim, é especialmente difícil ouvir VLR sem lembrar das razões políticas que levaram a separação da banda. Mas, mesmo assim ou apesar disso, quando minha playlist passeia até Considerações, no último álbum da banda (o NU), eu consigo entender o pensamento de quem fez o que fez, ainda que não concorde. O sentimento é de mensagem certa, lado da justificativa errado.

“Não vou levantar bandeiras que delimitem qualquer fronteira e nem concordar com tudo o que se diz por aí, pra tudo existe um oposto, não se discutem questões de gosto, então cuidado ao interferir (...) Foi só com uma certa idade que compreendi que a dualidade é a didática usada pelo céu...”

E como não perco a mania dos meus devaneios entre os textos, termino esse de coração quentinho pela chegada do TDG e pronta para todas as emoções que ele vai me despertar - na eterna gratidão de ter o Forfun como uma referência.


Au revoir.

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